
mind walks here
segunda-feira, junho 09, 2003
vagava perdida pela casa sem saber precisar onde o livro a havia afetado tanto. riu da última linha e riu da foto do escritor na quarta capa. queria acreditar em coincidências quando reparou que suas unhas compunham um degradé improvável com a cor do volume. era então o azul que imaginava ser o do cabelo da irmã morta na saga das mulheres de nomes incolores. ou seriam verdes seus cabelos? enfim o que pensava; desconcertada e atingida, completamente desamparada e desprotegida, era se a narrativa mais plausível de seu Gabriel favorito lhe provia conforto, consolo ou incentivo. doía poder se identificar pela primeira vez com o realismo mágico, (que mais trágico lhe parecia). como se irritava com a invasão não autorizada de sua confusão mais íntima, com a descoberta mais crua de uma vida possível, de um erro mascarado. e algum dia saberia desfazer-se daquilo ou teria que enfrentar os cem anos de solidão como se vivesse nos tempos do cólera?
.: posted by Miss Mindwalk 10:20
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